<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529</id><updated>2011-08-01T10:59:52.051-07:00</updated><title type='text'>Promontório da Lua</title><subtitle type='html'>"O Monte Tagro, que Varrão menciona, é, segundo creio, aquele mesmo que nós chamamos Sintra, donde avança para o mar o Promontório da Lua, situado a vinte e quatro mil passos, mais ou menos, de Lisboa; actualmente, chama-se a Rocha [Cabo da Roca], ou, em latim, &lt;i&gt;Rupis&lt;/i&gt;."&lt;br&gt;in "Descrição da cidade de Lisboa pelo cavaleiro português Damião de Góis"</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>67</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-1604418516992145173</id><published>2011-03-07T18:36:00.000-08:00</published><updated>2011-03-09T16:27:48.927-08:00</updated><title type='text'>Bruschetta de azeite de tartufo</title><content type='html'>- Abre a boca e fecha os olhos.&lt;br /&gt;Os olhos entrefecharam-se, respondendo-lhe de soslaio.&lt;br /&gt;- Vá, confia em mim. Eu sei que tu sabes que quando fechas os olhos desligas-te de tudo o que acreditas ser verdade. Só porque não suportas a ideia de não ser. Que quando fechas os olhos, vês melhor. Que vês melhor com os ouvidos, o nariz. E a língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechou os olhos a medo. Avançou os lábios frios pelo ar tépido da cozinha. Sentiu a crosta quente do pão entrar-lhe pela boca e mordeu o miolo levemente torrado, levemente molhado. A tensão que  lhe prendia as pálpebras uma à outra aliviou-se quando o líquido em que o pão estava embebido lhe escorregou pela língua. Deixou o visco verde suave invadir cada poro, lentamente. E perdeu-se na sensação que lhe untava o peito. Absorta naquele momento, desprendeu os nós todos da face e sentiu o silêncio único daquele corpo de sabor a entrar-lhe corpo adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, na ponta dos lábios que já não perscrutavam o ar, sentiu os lábios dele.&lt;br /&gt;Abriu os olhos na lentidão do beijo.&lt;br /&gt;- Um beijo qualquer um rouba. O problema está no que vem a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou-o de frente, de olhos calmos, presentes, tépidos de volta. Prenhes de uma nova escuridão.&lt;br /&gt;- Abre a boca e fecha os olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-1604418516992145173?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1604418516992145173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1604418516992145173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2011/03/bruschetta-de-azeite-de-tartufo.html' title='Bruschetta de azeite de tartufo'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-8518608141069440455</id><published>2011-02-08T04:47:00.000-08:00</published><updated>2011-02-08T05:07:45.511-08:00</updated><title type='text'>David</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_V5cxNMjOMhM/TVE7j3MC_zI/AAAAAAAAAFA/aKQuZZXx9R4/s1600/Homem_andando.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_V5cxNMjOMhM/TVE7j3MC_zI/AAAAAAAAAFA/aKQuZZXx9R4/s320/Homem_andando.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571299701329952562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Homem andando", Ernesto de Fiori&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Os calções tinham sido cortados a partir de uma calças de algodão &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;navy &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;blue &lt;/span&gt;que já estavam tão ruças que iam começar a servir de pijama. Mas precisava de uns calções para ir jogar à bola e ainda nem sequer tinha um colchão que pudesse chamar meu, quanto mais equipamento desportivo. Por isso, peguei na tesoura e fabriquei-os tal como os imaginava, pelo joelho, descobrindo apenas a perna abaixo do joelho, o g&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;émeo tronco térreo lançando a sua seiva sobre o pé raiz. Como aquele da estátua. De peito esguio, braços recolhidos e pernas de bronze. Na estátua de bronze, só as pernas, com os gémeos magníficos, como rochas, são de bronze. Brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paro de correr no local marcado. O mar, que tinha olhado de soslaio, está do meu lado esquerdo. Viro-me e enfrento-o. Avanço para as ondas, que não me tocam. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Headphones &lt;/span&gt;nos ouvidos e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ipod &lt;/span&gt;amarrado à braçadeira. O braço descai, sem peso, ao longo do tronco. O outro segura uma camisola sobre o ombro, ostensivamente. As pernas-terra afastam-se muito ligeiramente. Há graça quando levanto os olhos sobre o mar e vinco-os no azul-sobre-azul, como um desafio ao murmúrio que ainda e sempre lhe oiço. Cumprirei o desígnio que o vinco me traça. Isso e menos do que isso. Como um David. Europeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_V5cxNMjOMhM/TVE90tF4qMI/AAAAAAAAAFQ/kMqhRAEzm-E/s1600/david.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_V5cxNMjOMhM/TVE90tF4qMI/AAAAAAAAAFQ/kMqhRAEzm-E/s320/david.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571302189700786370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"David", Michelangelo Buonarroti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Mas há mais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-8518608141069440455?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8518608141069440455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8518608141069440455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2011/02/david.html' title='David'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_V5cxNMjOMhM/TVE7j3MC_zI/AAAAAAAAAFA/aKQuZZXx9R4/s72-c/Homem_andando.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-4946964429806601829</id><published>2010-10-30T16:31:00.000-07:00</published><updated>2010-10-30T16:53:01.186-07:00</updated><title type='text'>Candura, pt. 1</title><content type='html'>Encostou as costas à porta da rua, virado para o apartamento. Olhou-o pela última vez e deteve-se um minuto longo. A meia luz tinha-se deixado invadir pelo escuro da noite e o apartamento, quase sem mobília e sem pinturas ou retratos na parede estava mais cinzento e frio que de costume. Pelo menos foi isso que sentiu. Arrependia-se, agora de ter esvaído aquele casulo e de o ter tornado num reduto sem memória, porque a ausência de calor acabou por reprimir-lhe a vontade de ficar mais tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deteve-se aquele minuto longo, agora que o ia abandonar, enchendo os pulmões daquele ar confinado que julgou que lhe ia ser útil. Enfiou o gorro, que enterrou orelhas abaixo e abriu a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À sua frente encontrou a sua vizinha que estava a chegar a casa. Era uma senhora de idade, já bem dentro dos setenta anos e que vivia ali sozinha. Era raro ouvir barulho no corredor por causa de visitas e as vozes que se ouviam através das paredes finas eram as da rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurou afastar o olhar e não lhe disse nada. Mas, passados segundos, foi ela que encontrou os olhos dele e lhe falou.&lt;br /&gt;- "Olá, boa noite", disse-lhe. "Tenho medo que a minha filha preferisse que eu já tivesse morrido".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-4946964429806601829?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4946964429806601829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4946964429806601829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/10/candura-pt-1.html' title='Candura, pt. 1'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-1789014117225941508</id><published>2010-10-21T15:47:00.001-07:00</published><updated>2010-10-21T15:47:54.015-07:00</updated><title type='text'>Casa</title><content type='html'>Demorei algum tempo a chegar a casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-1789014117225941508?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1789014117225941508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1789014117225941508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/10/casa.html' title='Casa'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-8870779831338201255</id><published>2010-10-20T14:31:00.000-07:00</published><updated>2010-10-20T14:40:05.003-07:00</updated><title type='text'>Em frente</title><content type='html'>Se forem ao Cais da Rocha, vão encontrar um barco velho chamado Príncipe Perfeito. O barco balança lentamente, ancorado ao cais, marrando contra as paredes numa senilidade cega, de velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se olharem para a frente, encontram outro barco, bem mais jovem. Olhem com atenção e vejam como tem o pavilhão sul africano e, por baixo do nome inenarrável, está o de uma cidade: Cape Town.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, olhem de novo para o barco velho, de amuras beijando as paredes do cais e quase que se ouvirão a voz do príncipe velho dizer:&lt;br /&gt;- Soltem-me. Soltem-me só mais uma vez. Soltem as amarras, só um bocado, e vocês ainda vão ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-8870779831338201255?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8870779831338201255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8870779831338201255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/10/em-frente.html' title='Em frente'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-4086306460936702482</id><published>2010-10-19T17:01:00.000-07:00</published><updated>2010-10-19T17:52:48.949-07:00</updated><title type='text'>Por fim</title><content type='html'>São todos iguais, pelo que me deu para ver. Da primeira vez dizem-nos que não pensemos mais nisso, enquanto se começam logo a afastar, a virar costas e a encaminhar-se para a porta. Se os apanharmos mais a jeito, de uma segunda vez, dizem que é a profissão deles e logo se nos escapam entre os dedos. Para os mais resolutos, têm outras fórmulas, que passam por palavras como "obrigação" e até "ética", até chegarem a citar um juramento de um grego qualquer com um nome parecido com "hipócrita". Os médicos salvam-nos a vida, facto, e é a coisa menos hipócrita que alguma vezes nos fizeram, mas ainda assim não lhes podemos agradecer que eles não deixam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram dezenas os actos de amor que cometeram sobre mim. Dezenas de frases foram ditas, que não teriam sido ditas em circunstâncias normais, por dezenas de pessoas que decidiram não esperar mais para dizê-las. Foram dezenas de formas de expor a inegabilidade do bem que dezenas de pessoas me querem. Até esse estado de franqueza e pureza, que escapa às medidas que, normalmente, se tiram às palavras, se tornar ele próprio normal. Não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante mais de sete horas, uma pessoas com quem troquei cinco palavras, juntou outras duas, debruçaram-se sobre o meu corpo e lograram remendar um buraco, em ponto de cruz, no mais recôndito dos seus cantos. Não pararam, não desistiram, não me largaram enquanto não me deixaram na porta escancarada do labirinto, de chave na mão, para que a pudesse trancar atrás de mim. Aqueles três nomes, Fátima Coelho, Carlos Costa e Nádia Gonçalves são, para mim, o sinónimo mais límpido de algo que já não tem por onde correr mal. Da tranquilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria idiota comparar o grau. Não sei medir o que custa ou o que vale mais, se as sete horas no bloco operatório se as mesmas sete que os meus pais, as minhas irmãs e o meu sobrinho esperam, sem arredar pé, sem que o pé arredado fosse sequer uma hipótese. Não se comparam valores de grau infinito porque são iguais na sua totalidade. Não se comparam absolutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era pequeno, tinha que atravessar um campo de cereais para chegar até à escola primária. Não o fazia sozinho. A minha mãe acordava sempre antes de toda a gente e preparava tudo para o dia que vinha aí. Depois, quando os outros se iam embora, pegava em mim, o mais pequeno e, não raras vezes, íamos a pé por esse campo até à escola. No final do ano, antes das férias, as espigas estavam no seu ponto mais alto e, nesse ponto mais alto, eram mais altas que eu. O carreiro, nessa altura, transformava-se num labirinto de que não se via o fundo e sabia que se me perdesse ali não saberia encontrar o caminho de volta. Mas não estava sozinho. A minha mãe seguia à minha frente, sempre em silêncio, de mão dada com a minha, a mostrar-me o caminho até à porta do labirinto, do outro lado, que ela já conseguia ver e eu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei comparar absolutos. São incomparavelmente sempre o mesmo. Não vale mais um que o outro. Mas, no labirinto sem fundo, três pessoas juntaram as mãos e uma delas, chamada Fátima Coelho, deu-ma a mim, enquanto dezenas de outras pessoas não a largavam. Sei que esse não foi um acto médico brilhante, ou melhor, não foi só um acto médico brilhante. Foi a própria definição de um acto de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento de maior fraqueza, quando me escapava a lágrima do medo, lá estava a mão do meu pai, a segurar a minha. No momento de fraqueza ainda maior, quando a minha mão não tinha força para procurar as mãos das minhas irmãs, elas correram a encontrá-la. E no fundo do labirinto dei a mão à minha mãe e, quando me escapava a lágrima da felicidade, fechei a porta atrás de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E suspirei "chegámos".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-4086306460936702482?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4086306460936702482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4086306460936702482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/10/por-fim.html' title='Por fim'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-8471483505028493425</id><published>2010-10-10T14:21:00.001-07:00</published><updated>2010-10-10T14:55:42.706-07:00</updated><title type='text'>Sonho, pt. 2 - Micael</title><content type='html'>Os montes infestam-se. Aos milhares, a perder de vista, uma praga. Demónios de pele suja, têm unhas que prolongam os dedos vermelhos. Os seus corpos são imensos e toscos, as suas testas encimadas por pequenos cornos. Rastejam, cuspindo um veneno preto que lhes desce pelo queixo, sugando a vida da terra e fazendo o verde em sangue. Abocanham torrões húmidos cuspindo-lhes apenas o pó. Grunhem ruídos de prazer, devagar e baixinho. Avançam sem parar, a sua gula calma deixa um rasto inexorável de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ondulante, um pé paira no ar, cada vez mais perto da terra. A sola fina de uma bota verde toca o chão, e depois a outra. Ao peito, trás uma armadura azul, na cintura uma espada embainhada. Na face voam-lhe dois olhos claros e, nas costas, batem-lhe duas asas brancas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pousa no chão lentamente. Quando o cabelo ondulado assenta, solta um sorriso sereno. Um demónio, à sua frente, responde com um grunhido feroz e despeitoso, que excita os outros milhares e milhares de demónios. O anjo estende-lhes o sorriso, calmo e solitário. Empunha a sua espada e olha para o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, o anjo canta o seu nome em três movimentos e atea-se um fogo verde e azul na sua espada. Um outro ponto de luz se acende, ao longe. Depois outro. Depois mais ainda. Milhares de luzes, juntam-se à sua. Todas são diferentes da sua, todas são diferentes das outras. Milhares de pontos de luz estrelam espaço entre o verde da terra que resta e o azul do céu que sobra. O anjo olha em volta levanta as três sílabas do seu nome num brado. Milhares de vozes, todas diferentes, lhe devolvem o repto. Sorridente, o anjo olha para baixo e, antes de trespassar o demónio com a sua espada ardente, sussura-lhe em três suspiros, as três sílabas do seu nome.&lt;br /&gt;Mi-ca-el.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-8471483505028493425?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8471483505028493425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8471483505028493425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/10/sonho-pt-2-micael.html' title='Sonho, pt. 2 - Micael'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-5158162233523696303</id><published>2010-10-07T13:58:00.000-07:00</published><updated>2010-10-10T14:56:00.535-07:00</updated><title type='text'>Sonho, pt. 1 - Coisas bonitas</title><content type='html'>Desligaram tudo. Disseram-me que, agora, há só uma coisa, mais importante que falar e que cantar, mais importante que correr e que dançar, que comer e que mijar, que olhar e que ouvir, só há uma coisa. Chegaram ao ponto de dizer que não precisava de pensar em respirar, que não precisava de pensar em pensar. Mandaram-me ficar ali, deitado, reduzido ao sopro de uma máquina e ao fundo de uma equação e nada mais do que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, algo mais que isso. Sim, um pouco mais que isso, sobrou-me uma batida. Mandaram parar tudo, minguar tudo, esquecer tudo. Mas o coração continuou, sozinho, no escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses dias, como três dezes anos antes, e um pouquinho mais, fui o corpo em que apenas uma coisa importava: voltar a preencher de porvir cada um dos meus pedaços. Como nos dias antes de nascer, trinta e pouco anos antes, voltei a ser apenas uma batida no escuro. No escuro. No pouco mais que escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, algo mais que isso. Muito pouco mais que isso, muito pouco mais que escuro, muito pouco mais que nada, pouco mais que o sopro de uma máquina, no fundo de uma equação, eu fui só aquilo, sim, uma batida. Uma batida no pouco mais que escuro. Uma batida, uma batida, uma batida,&lt;br /&gt;e o sonho de um ponto de luz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-5158162233523696303?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5158162233523696303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5158162233523696303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/10/sonho-pt-1.html' title='Sonho, pt. 1 - Coisas bonitas'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-7168828201770981299</id><published>2010-10-07T13:39:00.001-07:00</published><updated>2010-10-07T14:42:19.904-07:00</updated><title type='text'>Coisas bonitas</title><content type='html'>- O som.&lt;br /&gt;- O som da antena a bater no tecto.&lt;br /&gt;- É o tecto de ripas e as antenas dos carros, quando batem, parece como quando uma criança brinca com um pau a arrastar pela calçada. Faz "tr-r-r-r".&lt;br /&gt;- Voltei a casa...&lt;br /&gt;- O meu pai! A minha mãe.&lt;br /&gt;- Está tudo bem, a sério que está tudo bem.&lt;br /&gt;- As pessoas todas a olhar. Está tudo bem, não é caso para estar aqui deitado, não é caso para isto tudo, garanto-vos.&lt;br /&gt;- Alguém falou comigo. Ela tem os olhos claros.&lt;br /&gt;- Tenho que lhe dizer tudo. Não lhe posso mentir, nem ter vergonha de nada. Vou-me confessar com ela.&lt;br /&gt;- Os olhos claros.&lt;br /&gt;- O meu pai, outra vez! Sim, está tudo bem! Vai tudo correr bem. Vai tudo correr bem, não vai?&lt;br /&gt;- Adeus.&lt;br /&gt;- A porta. A sala. A sala tem um espelho.&lt;br /&gt;- Do outro lado, há pessoas diferentes. Querem-me puxar. Não querem que me mexa, não querem que faça nada.&lt;br /&gt;- Caramba, eu sou capaz de me mexer sozinho!&lt;br /&gt;- Mais olhos claros.&lt;br /&gt;- Toda a gente aqui tem olhos claros? Não consigo ter medo no meio de tantos olhos claros.&lt;br /&gt;- Esta é a que vai cantar ao meu sangue uma cantiga de embalar.&lt;br /&gt;- Vá. Isso. Dorme.&lt;br /&gt;- Não. Não, não quero dormir. Só mais um bocadinho. Deixem-me pensar só mais numa coisa. Só mais uma, prometo.&lt;br /&gt;- E esta, só mais esta. Esta é a última, prometo. Só mais esta pergunta. A sério, depois desta eu deixo-me ir.&lt;br /&gt;- Só mais uma coisa... Só mais esta coisa... Só queria saber se sempre é verdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondeu-me de olhos claros. "Sim, sim, é verdade. Vá, faça isso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso. Isso. Pensa em coisas bonitas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-7168828201770981299?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7168828201770981299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7168828201770981299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/10/coisas-bonitas_07.html' title='Coisas bonitas'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-4379354083777089765</id><published>2010-10-04T15:37:00.000-07:00</published><updated>2010-10-04T16:53:19.093-07:00</updated><title type='text'>Eco</title><content type='html'>Minutos antes, curvado para a frente. Um enfermeiro fala-me de um espasmo muscular. Dá-me um calmante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos depois, sentado no sala de espera coberta de frio. A cabeça pesada pende do pescoço, segura pelas mãos enterradas no cabelo. Sinto a dor irradiar-se pelas costas. Sinto apertar-se o nó na garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse mesmo instante, erguendo os olhos. Vejo a Elsa e o Tozé irromperem pela sala e pelo frio, de passo firme e veloz. Levanto a cabeça para encontrá-los. Endireito o tronco e as costas e o pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento disfarçar o medo, turgindo os meus lábios com um sorriso. Tento disfarçar o sorriso que deveras lhe segue&lt;br /&gt;e desata agora o nó na garganta&lt;br /&gt;e logo se desfaz nos meus lábios, que voltam a secar.&lt;br /&gt;"Vai tudo correr bem", tento dizer-lhes, sem me conseguir ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, de olhos erguidos. Só oiço o eco dos seus lábios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-4379354083777089765?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4379354083777089765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4379354083777089765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/10/eco.html' title='Eco'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-1610004093031731313</id><published>2010-10-01T23:10:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T03:10:15.928-07:00</updated><title type='text'>A morte de Jan Gerrit van Wassenaer</title><content type='html'>Já passava das 23h30 da noite de 29 de Outubro de 1723, quando o filho do Barão Jan Gerrit van Wassenaer irrompeu pela casa do famoso médico e  cientista Herman Boerhaave. Trazia notícias do seu pais, nada menos do que o Almirante-mor da Armada Holandesa e Prefeito da província da Renânia, pelo menos da porção que cabia, na altura, às Províncias Unidas. E a revelação era chocante: o orgulhoso almirante estava agora no seu leito de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três dias antes, o oficial da marinha neerlandesa, dado que era aos prazeres da gula e ao consumo excessivo do álcool, brindara a companhia de alguns dos seus bons amigos com um dos seus banquetes. O efeito não foi surpreendente. Aliás, já não era a primeira vez que se sentira "pesado" após uma das suas abastadas refeições e tinha-se limitado a aplicar a receita habitual: vomitar o excesso cá para fora. Nas horas que se seguiram à refeição, tomou uma porção de um emético suave, um medicamento usado na altura para provocar o vómito, a que se seguiram outras formas mais tradicionais ainda de se livrar do problema, como a ingestão de 28 gramas de azeite e 180 gramas de cerveja (já nessa altura o seu efeito "emético" era bem conhecido). Perante o insucesso do gesto, o resoluto oficial tomou a decisão de forçar a nota e tomar mais quatro taças do medicamento, uma decisão que se revelaria fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao primeiro vómito, sentiu uma forte dor no peito, sentindo-se como se alguma coisa se tivesse partido ou rompido no interior. Não tossiu nem perdeu a clarividência com que, aliás, terá declarado imediatamente que vinha chegando a morte e se pôs a rezar. Três dias depois, o famoso médico foi encontrá-lo deitado, inclinado para a frente.  Havia passado esses últimos dias contorcendo-se e queixando-se de uma  forte dor no peito e nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como o pragmático homem do mar, o médico da casa também se cingiu às suas técnicas mais rotineiras, fazendo sangrar o paciência e dando-lhe compressas quentes, o que não terá resolvido o problema. Foi nessa altura que a família do Barão-Almirante decidiu contactar com o emérito (que não emético) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rector magnificus &lt;/span&gt;e vice-Chanceler da Universidade de Leiden. O prof. Boerhaave chegou tarde de mais, encontrando o paciente já morto. É incerto se as técnicas aplicadas pelo médico da casa concorram para acelerar o desfecho. O certo é que esse desfecho era, tal como o pio almirante havia prontamente declarado, inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando o chapéu de médico e colocando o de estudioso, pôde o professor proceder à autópsia, técnica científica cujos métodos ele próprio ajudara a desenvolver. Descobriu, com grande interesse, que o corpo do almirante ainda continha vestígios não digeridos do pato de três dias antes, assim como a presença de gases no abdómen e de líquidos espalhados pelo tórax que tiveram o efeito de colapsar um dos pulmões. No esófago, encontrou uma ruptura, pela qual conseguiu fazer passar um dedo, experiência invulgar que permitiu que todos quantos assistiam à operação repetissem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha sido, pela primeira vez na história, diagnosticado um síndrome raro que viria a ficar conhecido com o nome do insigne professor holandês, o Síndrome de Boerhaave, consistindo na ruptura espontânea de uma parte da parede do esófago, normalmente associada ao acto de vomitar forte e repetidamente. Durante o séc. XIX apenas mais cerca de 50 casos foram diagnosticados, com todos os pacientes a sofrer o mesmo destino do Almirante van Wassenaer. Foi só na década de '40 do séc. XX que um paciente foi, pela primeira vez, resgatado a esse destino através de uma operação cirúrgica que reparou a lesão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje o acontecimento é considerado raro, sendo cinco vezes mais prevalente nos homens que nas mulheres e dando-se tipicamente em doentes entre os 50 e os 70 anos. A taxa de sobrevivência depende grandemente do diagnóstico atempado, dado que uma ruptura no esófago origina, invariavelmente, uma infecção bacteriana, que tende a avançar rapidamente. Mesmo hoje em dia, um terço dos doentes ainda só recebem um diagnóstico após a morte, sendo que em 90% dos casos não tratados, a infecção leva à morte entre as primeiras 24 e 48 horas. Sem a cirurgia adequada, a taxa de sobrevivência após 72 horas é praticamente zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os avanços no tratamento desta condição têm sido notórios. Nos nossos dias, a taxa de sobrevivência nos pacientes operados com sucesso, dentro das primeiras 24 horas, cifra-se já nuns encorajadores 75%.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-1610004093031731313?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1610004093031731313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1610004093031731313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/10/boerhaave-e-morte-de-um-almirante.html' title='A morte de Jan Gerrit van Wassenaer'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-2985476956221198748</id><published>2010-09-30T14:38:00.000-07:00</published><updated>2010-09-30T14:49:09.407-07:00</updated><title type='text'>A engenheira que arranja pessoas</title><content type='html'>Esta história não é sobre mim. Ou melhor, não é só sobre mim. Quando tinha dois anos, a Enfermeira Catarina já sabia o que queria fazer quando fosse grande. Quando lhe perguntavam, tinha a resposta na ponta da língua: "Quero ser uma engenheira que arranja pessoas". Esta história também não é só sobre ela. Mas é muito mais sobre ela do que é sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite de 12 de Agosto de 2010, depois de comer de gosto uma sopa de letras preparada por um muito jovem casal que havíamos conhecido nas ruas de Odeceixe, lançámo-nos, eu e uns amigos, onde se incluíam o António José Miguel e a Elsa Vila Lobos, no prato principal. Depois de algumas garfadas, já um pouco custosas, deu-se um acidente: um pedaço de carne ficou impactado, sem conseguir passar pelas paredes do esófago, até ao estômago. Dava-se, assim, início à "Operação Entremeada".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-2985476956221198748?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2985476956221198748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2985476956221198748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/09/engenheira-que-arranja-pessoas.html' title='A engenheira que arranja pessoas'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-1815198847191454701</id><published>2010-09-29T22:33:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T14:33:14.008-07:00</updated><title type='text'>Morrer</title><content type='html'>Um anjo bailava, arrancando bocados do peito. "Diz  morrer", pediu-lhe uma voz, "diz só morrer".&lt;br /&gt;O anjo  ondulava, estendendo agora os braços pelo ar, como asas.&lt;br /&gt;Morrer, morrer,&lt;br /&gt;morrer morrer&lt;br /&gt;morrermorrer,  repetiu, até a voz se desfazer&lt;br /&gt;e dar à luz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-1815198847191454701?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1815198847191454701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1815198847191454701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/09/morrer.html' title='Morrer'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-6174545179305782782</id><published>2010-09-28T00:12:00.000-07:00</published><updated>2010-09-27T16:12:29.284-07:00</updated><title type='text'>Lágrima</title><content type='html'>As ondas do mar elevavam-se acima da linha do horizonte, na sua tentativa de calar o murmúrio que vinha do mar. Eu ouvia-as, mergulhado no oceano, sem pé, só com a cabeça de fora. Ouvia-as e olhava para o fundo do mar que persistia para além delas, antes delas, levando o meu nome para longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na face dos olhos húmidos, rolei pele abaixo, abrindo um sulco de sal e sangue e terra vermelha. Uma lágrima. E desfiz-me do sulco da cara voando milímetros de ar até cair nas ondas do oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorri mil mundos em mil dias, deixei-me perder por todos os caminhos, vendado todos os olhos, até me esquecer de mim. Num uivo de raiva, ergui-me do mar e soprei na vela que quebrou o mastro e puxei pela onda que fez tombar o barco. Um homem caiu, sozinho, ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, voei para a costa cinzenta e entrei na capela vazia. Ou quase. Diante da única vela acesa, uma mulher vestia de negro e rezava num soluço. Soberba, esquecida de mim, rodopiei num silvo que apagou a vela. A mulher chorou, sozinha, uma única lágrima. Como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me de mim e, uma lágrima, chorei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí pela fresta azul da porta e fui. Não tinha o traço dos mil dias desde que tinha saído da minha casa, deslizando pelo rosto, naquela sulco de sangue e sal e terra vermelha. Então vaguei por mundos escuros e frios, até chegar à cidade. Encontrei um palácio de gelo. Entrei por uma janela aberta, fazendo voar uma cortina de veludo vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa tela, um homem regressa a casa. A túnica dourada pesa-lhe tanto nos ombros que se vê ajoelhar. Não chega a ver o sorriso calmo do pai, que lhe afaga a cabeça. O sorriso não se pronuncia porque, agora, voltou a ter todo o tempo do mundo para sorrir. Não chega a ver o sorriso mas é invadido por ele, até se formar a promessa de uma lágrima nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesse momento que voltei a mergulhar. Enterrei-me na fibra da tela e despontei no canto do olho. Rolei pela face suada e sofrida, desfazendo-me, finalmente, num sulco de terra, na lágrima prometida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-6174545179305782782?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/6174545179305782782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/6174545179305782782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/09/lagrima.html' title='Lágrima'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-4484357925881007349</id><published>2010-08-11T05:57:00.000-07:00</published><updated>2010-08-11T06:01:26.056-07:00</updated><title type='text'>Beijo</title><content type='html'>Tinha acabado de acender o lume para o jantar, quando um anjo lhe entrou pela janela. Encontrou-a de cócoras, erguendo-se lentamente, como se aqueles olhos azuis, aquelas asas branquíssimas, aquela visita celestial não fosse a coisa mais inesperada do mundo. Os olhos dela preparam-se para ouvir o que lhe vinha ser anunciado. “Avé Ma…”, e deteve-se sem conseguir concluir a frase. Era nesses olhos que viviam, lado a lado, o temor e a esperança daquela visita. Eram claros como a luz última do sol que beija a superfície verde da água, mas carregavam em si já o cinzento que anuncia a noite primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E você, como é que se chama?”, perguntou a mulher ao anjo. “Ghe…Ga...”, mais uma vez não conseguiu avançar um som que fosse à vista dos seus olhos. Recompôs-se decidido que estava, agora, a evitá-los e a olhar directamente para um ponto negro no chão. Voltou ao discurso que tinha sido preparado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Avé Maria, cheia de graça, trago-te uma boa notícia. Depois de fazer o homem, de lhe soprar para o nariz, de lhe falar pelos lábios, é Deus quem se faz homem, em Pessoa. Tu carregarás no teu ventre o Seu Filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher cobriu a barriga com as mãos e baixou os olhos. Os seus olhares encontraram-se no mesmo ponto negro do pavimento. Quem desfez esse encontro foi o anjo que se aproximou lhe alcançou o queixo caído. Ergueu-o lentamente na sua direcção, deixando exposto o pescoço fino. Ela era tão completamente bela, a sua pele tão delicadamente suave, o ser perfume tão frágil e tão imensamente forte. Olharam-se lábios nos lábios, por um instante longo, enquanto o verde e o azul se perderam um no outro e deram a cor ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijaram-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma voz rouca como uma rocha levantou-se do céu e deixou a questão: “É com um beijo que me trais, Gabriel?”. Ele sabia bem que não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-4484357925881007349?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4484357925881007349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4484357925881007349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/08/beijo.html' title='Beijo'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-8041776018024372599</id><published>2010-07-18T15:00:00.000-07:00</published><updated>2010-07-18T16:06:33.600-07:00</updated><title type='text'>Farinha</title><content type='html'>A aldeia inteira seguia cabisbaixa numa procissão silenciosa até ao monte do Moinho. Nem sequer a condenada, que encabeçava o grupo, já resignada com a sua sorte, fazia o mínimo esgar de contestação ou revolta.&lt;br /&gt;Apenas uma mulher falava mais alto e tentava impedir a marcha lenta do resto do grupo. "Mas ela não fez por mal! Não era isso que ela queria dizer! Será que não percebem!?", gritava na direcção no colectivo de juízes que, nas suas batinas, seguiam logo por trás da condenada. As outras mulheres da aldeia tentavam acalmá-la. "Vá lá, Fernanda, agora já não vale a pena. O que está dito, está dito. Não vale de nada estares agora a chover no molh... quer dizer, a sofrer por causa disto".&lt;br /&gt;Chegaram finalmente ao Moinho. Era uma estrutura enorme e redonda, em que as paredes, em vez do branco cálido dos outros moinhos, era de um cinzento metálico e pesado. As pás, também elas de metal afiado, desciam numa cadência ritmada pelo uivo que faziam à medida que iam cortando a névoa às fatias.&lt;br /&gt;Entraram todos para dentro do moinho, mantendo uma distância respeitável das pás. Alguém chegou a comentar que aquele aparato todo era desnecessário e que alguém ainda se podia aleijar com aquilo, comentário que mereceu um olhar de soslaio do colectivo de juízes e alguns reparos mais veementes por parte da população. "É preciso ter-se cuidado com o que se diz", disse um dos mais velhos. "A Polícia da Metáfora anda por todo o lado e eles são muito bons é a ler nas entre... eles são muito bons no que fazem, ou será que não sabe?" Sim, era claro que sabia, ou então porque é que estavam ali todos? O que se tinha limitado a fazer era apontar uma falha na segurança e tinha-o feito de forma muito clara.&lt;br /&gt;O tom das reclamações de Fernanda tinha-se agora transformado em súplica. Só a condenada a pôde consolar: "Fernanda, não fiques assim. Foi um descuido da minha parte. Eu, que sou uma desbocada, tinha logo que me ir armar em esperta, já viste? Logo por causa daquele gajo".&lt;br /&gt;Largou-lhe o braço e enfrentou a porta à sua frente, que dava acesso a uma câmara fechada. Depois de passar, o presidente do colectivo fechou a porta por trás de si e carregou num botão vermelho que havia ao lado. A Mó, que até aí estava parada ligou-se ao veio que estava a rodar e começou ela também no seu inexorável movimento numa lenta espiral descendente, ruminando tudo no seu caminho, câmara abaixo, precisamente no sentido dos ponteiros do relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto à fonte, conversava exaltadamente com Fernanda acerca do que lhe tinha acontecido no dia anterior.&lt;br /&gt;- É inacredit... Quer dizer, ainda me custa acreditar, Fernanda. Com que então ele anda-me com outra e ainda me diz que só me veio contar porque tinha medo que a Polícia da Metáfora. Acreditas nisto? Não me contou porque achava que eu devia de saber. Sabes o que é que ele me disse? "Imagina que, um dia, eu te digo que vou comprar tabaco e que vou ter com ela. E se eles descobrem? E se eles me perguntam o que é que eu queria dizer com «comprar tabaco»?".&lt;br /&gt;- Ao menos, disse-te para imaginares a situação. Pelo menos lembrou-se disso.&lt;br /&gt;- Eu quero lá saber, Fernanda! Olha, sabes que mais, comigo é que ninguém faz farinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda deixou cair o garrafão de água e pôs a mão à boca. Ainda olhou à volta para ver se alguém as tinha ouvido. Mas, na aldeia, toda a gente se calou e olhou na direcção da fonte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-8041776018024372599?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8041776018024372599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8041776018024372599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/07/farinha.html' title='Farinha'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-299693358058794991</id><published>2010-06-30T16:27:00.000-07:00</published><updated>2010-06-30T17:12:42.126-07:00</updated><title type='text'>Alterações</title><content type='html'>Olhou-a por cima dos óculos de ler.&lt;br /&gt;- Então vamos lá ver. Ok, és a filha mais velha da minha irmã. Certo. Data de nascimento: 15 de Março de...&lt;br /&gt;- 2001.&lt;br /&gt;- 2001? A sério que nasceste em 2001?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Ok, muito bem, o que quer dizer que nesta altura tens oito, aliás, nove, nesta altura tens nove anos. E andas na terceira classe, certo?&lt;br /&gt;- Passei agora para o quarto ano.&lt;br /&gt;Num formulário da empresa, que no canto superior direito trazia o acrónimo do seu nome e que tinha o título de "Briefing de Alterações" anotou calmamente o ano escolar, fazendo menção de escrever "Ano", em vez de "classe", para não se voltar a esquecer. Afinal de contas, a melhor maneira de começar era ir-se habituando ao jargão.&lt;br /&gt;- E tens tido boas notas?&lt;br /&gt;- Tive bons a tudo, menos a Estudo do Meio, em que só tive "Suficiente".&lt;br /&gt;- Ok, muito bem. E então porque é que só tiveste "Suficiente"?, perguntou, enquanto voltava a soerguer o olhar por cima dos óculos, só para praticar.&lt;br /&gt;- Porque não gosto muito, respondeu, encolhendo os ombros.&lt;br /&gt;- Muito bem. Havemos então de ver se damos a volta a isso, não é? E que mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cama de casal, branca, de lençóis brancos e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;edredon &lt;/span&gt;branco, era um reflexo do resto do quarto. A única excepção, agora, era o berço em madeira de contraplacado castanho, com um ursinho no alto da cabeceira, que estava encostado do lado esquerdo da cama. Não ouviu a porta ranger, apenas uma voz soluçante.&lt;br /&gt;- Tenho saudades da minha mãe.&lt;br /&gt;Falava o mais rapidamente que podia, talvez pela pressa de incluir uma frase completa entre os solavancos na garganta, talvez pela vergonha de não os conseguir impedir.&lt;br /&gt;- Vem cá.&lt;br /&gt;Trepou pelo final da cama, colocando-se entre o tio e o berço.&lt;br /&gt;- Vá, não faças barulho que ainda o vais acordar.&lt;br /&gt;Tentou acalmar os soluços interpondo-lhes um suspiro longo.&lt;br /&gt;- Porque é que ela tinha que morrer?, disse, antes que uma nova enxurrada lhe voltasse a inundar a voz e a tapar os olhos.&lt;br /&gt;- Ela não morreu. A minha irmã, agora, vive aqui dentro.&lt;br /&gt;E apontou para o seu próprio peito. Ela firmou a face, de olhos pregados nos olhos dele.&lt;br /&gt;- E, mais do que em qualquer outro sítio à face da terra, ela agora vive aqui, acrescentou, apontando para o peito dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez um sorriso ténue, enquanto fungava. Virou-se e enconchou o seu corpo no dele, antes de adormecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-299693358058794991?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/299693358058794991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/299693358058794991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/06/briefing.html' title='Alterações'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-3622599684555455177</id><published>2010-06-01T02:48:00.000-07:00</published><updated>2010-06-01T11:53:57.836-07:00</updated><title type='text'>Pessoas cumprimentam-se com beijos de plástico</title><content type='html'>Pessoas cumprimentam-se com beijos de plástico. Homens abraçam crianças de plástico na estrada de plástico que dá para a escola. Jovens, com cabelos e corações de plástico, beijam jovens de plástico que, de cabeças deitadas nos seus colos, olham horizontes de plástico. Homens, jovens, distantes, morrem na televisão mortes de plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz do mar da tarde inunda-me olhos. Fecho-os. Sobra a cor-de-laranja-rosa. Sobra um beijo tépido, em cada um deles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-3622599684555455177?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/3622599684555455177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/3622599684555455177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/06/pessoas-cumprimentam-se-com-beijos-de.html' title='Pessoas cumprimentam-se com beijos de plástico'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-6409186517608566104</id><published>2010-05-26T14:31:00.000-07:00</published><updated>2010-05-27T01:55:41.590-07:00</updated><title type='text'>Tempo</title><content type='html'>A tempestade criava um tumulto à superfície das águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, um globo jazia, pesado como uma bola de sabão. Estava cheio de tempo. Dentro do globo, à distância, o tropel ruidoso de um cavalo agitava a terra, uma espada brandia a luz bronzeada do sol. À distância, ouvia-se o chilrear de um pássaro que afagava as faces ainda tépidas de uma manhã fresca. Ao longe, um sol punha-se, uma onda quebrava na rocha, um comboio deixava um vago rasto calmo de fumo branco, sete palmos acima dos carris. Uma onda, de novo, quebrava a rocha. No murmúrio da onda, ao longe, ouvia-se alguém sussurrar o nosso nome. De pés enterrados no mar, ouvíamos o sopro das folhas chamar o nosso nome, à distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A certa altura, o globo começou a subir. Lenta, como uma âncora içada à força de mãos, a bola de sabão subia vagarosa pela água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, a gota mais pequena da tempestade caía ao sabor do vento, esquecida da hora em que o céu a lançara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O globo aproximava-se da tona de água. A superfície da bola estava prestes a tocar a pele da água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse preciso momento, a gota mais pequena da tempestade tocou na superfície do globo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O globo abriu-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma bola de sabão, o globo desfez-se no nada que existe entre o ar e a água e o tropel do cavalo calou a tempestade e a luz de bronze da espada aclarou o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, fez-se o silêncio que precede tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, finalmente, era chegado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-6409186517608566104?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/6409186517608566104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/6409186517608566104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2010/05/tempo.html' title='Tempo'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-2627993591903506158</id><published>2009-06-17T07:54:00.000-07:00</published><updated>2009-06-17T16:43:00.158-07:00</updated><title type='text'>Cais das Colinas (dedicado a Alexanda Alpha)</title><content type='html'>O vento voava-lhe nas asas. Os turistas, distraídos pelo som arrastado do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jazz&lt;/span&gt;, enchiam o betão que dava para o Cais das Colunas, sentados em cogumelos de plástico de onde brotavam árvores. Durante anos pilotara aquele avião. E durante os meses das férias a rotina era simples: festa no Coconuts, anúncio atrelado à cauda do aparelho, partida de Tires e paragem em todas as capelinhas: Parede, Carcavelos, Sto. Amaro de Oeiras e depois até à outra banda para fazer um bocado das praias da Costa. Um homem, de bigodes calados e mãos nas cruzes, olhava para o mar e tentava pensar em alguma coisa. Um rapaz enchia de areia molhada um balde com o fundo aos quadradinhos. De repente, seguiu os ouvidos até ao céu e viu passar a avioneta. “Co-co-nu-ts. Co-co-nu-t(e?)s”, leu de si para si. “Ó pai, o que é que são cocó-nutes?”, diparou, não evitando uma gargalhada sem o dente da frente. Não era a mais excitante das vidas, é certo, principalmente se pensarmos que tinha deixado a escola de engenharia para se dedicar aos aviões. Não esperava uma vida de Robert Redford, mas ter que aturar sempre o mesmo empresariozinho a ir de “jacto privado” até Bragança, todas as semanas. Acabadas as praias deste lado, virou o avião para atravessar a boca larga do rio. E, de todas as vezes, a mesma piada: “olha-me para aqueles desgraçados lá em baixo. De Lisboa a Bragança já não são nove horas de viagem”, dizia entre risos escarninhos para as “formiguinhas” que seguiam pelo carreiro da A1. “‘Tão mesmo velhos os Xutos, pá. Ainda me lembra quando os gajos saíram com essa música”. Lançou um olhar lânguido sobre o farol do Bugio, ali, abandonado às suas “chicotadas de luz na escuridão”, como já dizia Miguel Torga. Mandar chicotadas em plena luz do dia deve ser ainda mais triste, pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que deu uma guinada que lançou o avião numa curva apertada, como se uma das chicotadas do farol se tivesse prendido à asa. A adrenalina inundou-lhe a memória das acrobacias dos primeiros aviadores do princípio do século, a passarem com os aviões por dentro do Arco do Triunfo. Mesmo à sua frente, a ponte 25 de Abril cravou-lhe um sorriso no canto do lábio. Não foi até se virar para o Cais das Colunas que os turistas repararam no avião. “What the hell?”, blasfemou um deles, ao que alguém parece ter-lhe respondido com outra pergunta: “Coconuts?”. Todas as semanas, pensou, todas! Sem entender muito bem se uma chuva de cocos estava prestes a banhar aquela manhã do sol, os turistas levantaram-se dos seus cogumelos e começaram a recuar a passos cada vez mais rápidos. O avião baixou tanto que formou uma nuvem de espuma ao seu redor e passou a toda a velocidade, com o trem de aterragem a cortar a meta que imaginou entre os globos que encimam as Colunas. Quando olhou para a frente, teve que fazer uma pirueta para evitar bater na estátua a cavalo, que o fez também passar acima do Arco da Vitória. O toldo de plástico, esse, a esbracejar furiosamente nas costas, acabou por ir dar uma estalada na cara do Rei-menino que o fez abanar da sela. A Rua Augusta parou de espanto antes de começar a correr aos gritos como se mais alguma onda gigante se aproximasse. Olhou à volta, à procura de um lugar para estacionar, até que viu desenhar-se à sua frente uma avenida de asfalto perigosamente ladeada de obstáculos frondosos e verdes. Deu uns safanões para baixo a anunciar as intenções, e os carros, como se tivessem ouvido uma ambulância, correram a sair-lhe da frente. Quando já se estava a acabar a avenida, as rodas beijaram finalmente o chão. Carregou nos travões a fundo, usando ainda parte da rotunda para desacelerar. Em vez de parar ao pé do parque, acabou de fazer rotunda com a mão por fora do vidro acenando à multidão muda, numa última volta de consagração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-2627993591903506158?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2627993591903506158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2627993591903506158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/cais-das-colinas-dedicado-alexanda.html' title='Cais das Colinas (dedicado a Alexanda Alpha)'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-3611717985634414105</id><published>2009-06-17T07:12:00.000-07:00</published><updated>2009-06-17T07:13:53.561-07:00</updated><title type='text'>A carioca velha</title><content type='html'>De cabelo pintado de &lt;span&gt;acajou &lt;/span&gt;vistoso, só a porção das raízes que marcavam as fronteiras da testa eram de cor perlada. A pele, branquíssima, era um napron de veias azuis e rugas engelhadíssimas, de onde sobravam os olhos pintados do mesmo tom do cabelo. A carioca velha passeava o carrinho das compras, de xadrez cor-de-vinho e preto sobre o tecido azul escuro. Pela outra mão trazia docemente uma preta de cabelo branco e maçãs do rosto salientes, que lia devagar uma listinha. Na verdade, não era muito certo quem trazia quem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-3611717985634414105?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/3611717985634414105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/3611717985634414105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/carioca-velha.html' title='A carioca velha'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-880494058026847976</id><published>2009-06-17T07:08:00.000-07:00</published><updated>2009-06-17T07:11:25.554-07:00</updated><title type='text'>O carioca velho</title><content type='html'>De cabelo cor de prata e pele cor de bronze, o velho carioca jogava na praia. Tinha vestida uma camisa de chita branca escura que deixava transparecer a camisola interior de linho poroso e de manga à cava. As calças bege estavam arregaçadas até meio da canela. Usava óculos de lentes enormes e escurecidas e a armação grossa pisava-lhe as maçãs no rosto. De pés descalços na areia, saltitava como um morcego atrás de uma bola com penas de plástico, um cometinha a que dava palmadas de mão em concha, na direcção do companheiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-880494058026847976?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/880494058026847976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/880494058026847976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/o-carioca-velho.html' title='O carioca velho'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-71883902868013512</id><published>2009-06-13T17:56:00.000-07:00</published><updated>2009-06-14T15:30:47.278-07:00</updated><title type='text'>Cinco, dez, quinze. Vinte, vinte e cinco, trinta.</title><content type='html'>Entreguei ao mar- o sal de um pouco menos que meia vida corrida -à-tona de água.&lt;br /&gt;Quando uma onda me trouxe de volta, de camisola branca e calções verdes colados ao corpo, senti o ardor do sangue áspero que me escorria pelas pernas abaixo. O mar tinha finalmente lavado o sabor doce dos lábios e a barba vermelha vertia os primeiros pingos de ferrugem. As gotas grossas misturaram-se com o sal e com o sangue, deixando um rasto de pétalas de amor* sobre a areia.&lt;br /&gt;Contei os passos até ao cais. Cinco, dez, quinze, vinte, vinte e cinco, trinta.&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Pedi as "pétalas de amor" emprestadas a Vinícius de Moraes. Espero que não se importe.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-71883902868013512?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/71883902868013512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/71883902868013512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/cinco-dez-quinze-vinte-vinte-e-cinco_13.html' title='Cinco, dez, quinze. Vinte, vinte e cinco, trinta.'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-1292333497878875120</id><published>2009-06-13T16:59:00.000-07:00</published><updated>2009-06-13T17:25:52.311-07:00</updated><title type='text'>Denguinho</title><content type='html'>A gingada doce, o gesto mole, o dedo que se alonga num repente final, num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;coup de fouet&lt;/span&gt; em estilo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;liberty&lt;/span&gt;. Depois também, o denguinho de sabor a mel, de uma morte pequena e lenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wy1zGTRLZxU&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/wy1zGTRLZxU&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-1292333497878875120?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1292333497878875120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1292333497878875120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/denguinho.html' title='Denguinho'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-5139135062973981490</id><published>2009-06-13T10:24:00.000-07:00</published><updated>2009-06-14T10:01:55.995-07:00</updated><title type='text'>Trono</title><content type='html'>Pele cor de areia. Espraiado, de braços estendidos e palmas abertas, o tronco esguio tinha desenhada uma copa frondosa de ossinhos finos. As pernas eram feitas de rocha maciça, com os gémeos de arestas saídas de onde brotavam veios de músculo para depois descerem, em cascatas, até formarem as colunas que seguiam joelho abaixo até ao pés gigantes.&lt;br /&gt;Sem desvia os olhos, recebeu um beijo no umbigo. Depois outro encarreirou uma trilha de beijos peito acima, até ao pescoço, até aos lábios. Segredou qualquer coisa e quedou-se imóvel, como um Cristo-rei deitado, de olhos fixos no céu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-5139135062973981490?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5139135062973981490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5139135062973981490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/trono.html' title='Trono'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-8219226602299472880</id><published>2009-06-10T18:46:00.000-07:00</published><updated>2009-06-14T16:28:26.595-07:00</updated><title type='text'>Mar-à-tona</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tese&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Emil Zatopek, quatro vezes medalhado de ouro em dois Jogos Olímpicos: "Se quiserem correr, corram uma milha. Se quiserem uma experiência que mudará a vossa vida, corram uma maratona".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Antítese&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Saïd Aouita, medalhado do ouro nos Jogos Olímpicos, corria de olhos fechados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Síntese&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os sonhos de Saïd Aouita mudaram a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ou, melhor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Saïd Aouita tinha sonhos que ninguém mais podia ter.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-8219226602299472880?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8219226602299472880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8219226602299472880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/maratona.html' title='Mar-à-tona'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-7512331856794794410</id><published>2009-06-05T14:17:00.000-07:00</published><updated>2009-06-13T17:28:10.840-07:00</updated><title type='text'>Sul</title><content type='html'>De pernas para o ar, o quarto crescente entornava mil gotas de luar sobre o oceano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-7512331856794794410?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7512331856794794410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7512331856794794410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/antipodas.html' title='Sul'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-7839621978759380669</id><published>2009-06-05T11:38:00.000-07:00</published><updated>2009-06-05T15:35:17.054-07:00</updated><title type='text'>Todos nós temos o José na voz.</title><content type='html'>A bola saltitava, já sem nenhum jogador por perto, em direcção à bandeirola de canto. Caprichosamente, o esférico beijou o mastro da bandeirola e resvalou para fora. Pela linha lateral. Os treinadores, um mergulhado no banco, o outro de pé a assistir à partida, trocaram um olhar. "Safaste-te, que eu sou perigoso é nos cantos", pensou o malfadado para o outro. "Pois é, azar", respondeu com olhar jocoso.&lt;br /&gt;A partida seguia renhida e o estádio cantava as cores de lá, um pouco menos favoritas a vestirem taças, é certo, mas cheias de convicção. A equipa dava boa conta de si. Respondia à cadência dos cânticos inflamados e o treinador, em braza também ele, não se aguentava sentado na cadeira e franzia o sobrolho a cada acção irreflectida de um dos seus jogadores. O outro, mais velho, senhor de melhores e mais antigas cores, continuava a afundar-se na poltrona, na paciência dos catecúmenos, dos generais das mil batalhas que, de nada em nada, guiavam os habituais milhares à parada final nas ruas da outra cidade.&lt;br /&gt;Ao intervalo, nada de substituições, que era para seguir assim, que o golo da vitória lá havia de aparecer.&lt;br /&gt;A segunda parte recomeçou na mesma toada, com os leões jovens a dar água pela barba aos leões mais velhos. O treinador experiente, vendo demasiados ameaços de perigo às suas redes, soergueu-se lentamente do cadeirão, mas não se levantou. Confiava que os seus soldados empedernidos soubessem entender os sinais da sua impaciência. O mais novo passeava os passos à frente do banco, de olhos fixos nas investidas que se sucediam à baliza adversária. Seria desta, seria desta, afinal?&lt;br /&gt;E foi. O estádio mergulhou num ápice de silêncio no momento em que a bola ia beijar a rede. E o descompor das malhas, que mal sustiveram a violência do remate, fez o estádio explodir num grito: Golo!&lt;br /&gt;Num salto que os cabelos grisalhos não fariam supôr, o general irritado levantou-se da poltrona e ordenou secamente: "quero fazer uma substituição".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O neto, obediente, pegou no comando e parou o jogo. Foi ao menú das "Preferências de equipa" e perguntou ao avô: "É só substituição ou também é para mudar a táctica?". O outro treinador, com um sorriso vitorioso nos lábios, acalmou os festejos e sentou-se no outro sofá da sala.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-7839621978759380669?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7839621978759380669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7839621978759380669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/jose.html' title='Todos nós temos o José na voz.'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-1395813561609004509</id><published>2009-06-05T11:34:00.001-07:00</published><updated>2009-06-05T11:37:48.985-07:00</updated><title type='text'>Impassável</title><content type='html'>"Amar", como "Morrer", nunca poderá ser conjugado na primeira pessoa de um pretérito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-1395813561609004509?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1395813561609004509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1395813561609004509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/impassavel.html' title='Impassável'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-8689590375756671015</id><published>2009-06-03T15:10:00.000-07:00</published><updated>2009-06-05T15:22:14.057-07:00</updated><title type='text'>Cinco, dez, quinze. Vinte, vinte e cinco, trinta.</title><content type='html'>Rodei os olhos pelo horizonte azul até que avistei, ao longe, à minha esquerda, uma bandeira. Duas partes verde, três partes branca.&lt;br /&gt;Aproximou-se um rapaz. Pendia do tronco delgado uma camisola velha, rasgada, de branca sujo e gasto, com a manga curta, demasiado larga, a cair quase até ao cotovelo. Os calções, da cor das copas frondosas que vestiam os morros salientes à minha volta, cobriam as coxas inteiras deixando ver as pernas do joelho para baixo. O corpo magro escondia-se praticamente todo debaixo da roupa larga, que batia no peito e nas pernas, despregada ao vento.&lt;br /&gt;De pés descalços, trazia os chinelos castanhos enfiados nas mãos, com o polegar para um lado os outros quatro dedos para o outro, dobrando o cabo e enganchando o chinelo. A sola, gasta, percorria-lhe o antebraço como uma peça de armadura de borracha.&lt;br /&gt;"Moço, me compra um amendoim", disse-me. "Estou terminando. Quero ir logo p'ra casa". De facto, só tinha um pacotinho de papel, em forma de cone, preso na parte da frente dos calções e entalando a camisola. "E quanto que custa?", perguntei, bem humorado. Do pescoço delgado, a voz saiu como um fiozinho: "É um real, só".&lt;br /&gt;Levei a mão bolso para sentir as moedas. Obedecendo ao dedilhar, as moedinhas pequenas, todas iguais, colaram-se umas às outras como numa coluna. "Sabe," contei-lhe, "quando pego moedinha de cinco centavos eu começo fazendo coleção nesse bolso aqui, do lado esquerdo. Quando chego nas cinco moedas, eu troco por uma de vinte-e-cinco centavos. Aí, olha só, eu acho que terminei uma coleção!" Mostrei-lhe as moedas que tinha na mão e, deixando cair a sua armadura por terra, estendeu-me a dele em forma de concha. Comecei a contá-las, enquanto as depositava: "Cinco, dez, quinze. Vinte, vinte e cinco... Olha só, e ainda sobra uma: trinta! E essa conta por dois, viu só?"&lt;br /&gt;Colocou as moedas no bolso dos calções e afastou o olhar para a praia praticamente vazia. Foi-se embora sem me dar os amendoins, de olhos baixos.&lt;br /&gt;Voltei a fixei o olhar no fio de prumo, deitado e azul, à espera do sangue. Olhei à direita e voltei a ver a bandeira a afastar-se, ao longe. Duas partes verde, três partes branca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-8689590375756671015?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8689590375756671015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8689590375756671015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/cinco-dez-quinze-vinte-vinte-e-cinco.html' title='Cinco, dez, quinze. Vinte, vinte e cinco, trinta.'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-7609710605784275556</id><published>2009-06-03T15:09:00.000-07:00</published><updated>2009-06-05T14:33:08.795-07:00</updated><title type='text'>Olhos</title><content type='html'>Os seus olhos pareciam duas metades de um citrino azul, entre a laranja cheia de grumos túrgidos e o kiwi de sementes negras e gordas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-7609710605784275556?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7609710605784275556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7609710605784275556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/06/olhos.html' title='Olhos'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-7596863411308053049</id><published>2009-05-29T09:42:00.000-07:00</published><updated>2009-06-05T15:48:44.033-07:00</updated><title type='text'>Trilha</title><content type='html'>"Memória é que nem trilha no mato".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisas que fazemos durante anos, primeiro a medo e depois com um orgulho e confiança que olham para esse medo infantil quase de esguelha. Como uma trilha, que se vai abrindo no meio do mato, passagem após passagem. Das primeiras vezes que repetimos a trilha, nem se consegue perceber o caminho. Provavelmente, pensamos anos mais tarde, das primeiras vezes que a fizemos, tomamos direcções diferentes, tivemos gestos diferentes, olhamos de maneira diferente para o que estava diante dos nossos olhos. Depois há uma árvore que começamos a atravessar todos os dias, que marca o ponto em que "já não falta tudo", um riacho que atravessamos mais ou menos a meio, o descampado já no final, com a trilha já bem traçada e bem pisada no chão atrás de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, os nossos passos mudar de destino e deixamos a trilha, que vai sendo consumida aos poucos. A relva em volta começa a estender-se a medo, receosa ainda do regresso daquela sola aterradora. O caminho vai-se voltando a confundir com o mato e a memória dele desaparece das nossas mentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco tempo meti-me no caminho que fazia para chegar à escola, quando era criança. Entretanto, teria passado mais de uma década desde que a fiz e julgo que nunca a tinha feito de carro sozinho, muito menos de noite. A trilha, na minha cabeça, ainda existia mas estava coberta de erva daninha e mal se distinguia da escuridão do mato à volta. Quando ainda estava a caminho da estrada, tentei ver a trilha inteira à minha frente: a árvore onde pousava a mão de passagem, o riacho, o descampado final. E entre estes marcos faltava muita coisa. Eram imensos os pontos negros na minha trilha, os momentos que vivi em cada em cada passo, a relação que estabeleci com cada pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inesperadamente, não senti medo por me internar no mato profundo, no meio da noite. Senti a excitação e a antecipação de saber como chegar a dois passos daquele buraco negro na minha mente e a certeza de saber que a trilha irromperia na minha cabeça, nem que fosse preciso voltar a rasgar esse veio nos meus miolos. Que chegaria com a força da lembrança de um cheiro ou de um sabor, ou de um afago da palma de uma mão perdida. E assim foi: a cada curva, a minha mente era inundada das recordações da contra-curva que se seguia e que já não tinha esquecido: A casa do senhor com a porta que dava directamente para a estrada. O meu pai dizia sempre: "um dia vai acordar com um carro deitado ao lado dele na cama." Depois, o depósito das águas, com a moradia do caseiro, o pai do meu companheiro de carteira na escola. Por fim, a curva à direita, para a vila, e os últimos metros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho no carro, entortei ridiculamente os olhos para onde se sentariam os meus pais, à minha frente. Assombrou-me a ideia de um altar de sacrifício no final da trilha. "Adeus", disse ao chegar ao portão da escola, como se repetisse o ritual. "Até à próxima despedida."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-7596863411308053049?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7596863411308053049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7596863411308053049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/05/trilha.html' title='Trilha'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-2145339762367840867</id><published>2009-04-29T05:04:00.000-07:00</published><updated>2009-04-29T05:05:51.056-07:00</updated><title type='text'>Promessa</title><content type='html'>Em pequeno, prometi que nunca faria promessas vãs.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-2145339762367840867?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2145339762367840867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2145339762367840867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/04/promessa.html' title='Promessa'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-5970031663567096493</id><published>2009-04-29T04:58:00.000-07:00</published><updated>2009-06-05T14:34:57.404-07:00</updated><title type='text'>S. Miguel</title><content type='html'>A igreja, como o Cruzeiro do Sul, é um marco cego que nem dá as horas.&lt;br /&gt;Na surdez dos minutos que passam, entre o sino que devia tocar e o sino que não tocará; é por ela que acerto o meu relógio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-5970031663567096493?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5970031663567096493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5970031663567096493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/04/s-miguel.html' title='S. Miguel'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-1121688416528239174</id><published>2009-04-19T13:45:00.000-07:00</published><updated>2009-04-19T14:26:08.886-07:00</updated><title type='text'>Roda de choro</title><content type='html'>A batida do pandeiro, meio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;swing&lt;/span&gt;,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;meio samba, ditava aos corpos húmidos um ritmo frenético. Os ombros embrulhavam-se aos pares de pares nesse rima a compasso de dezenas de casais.&lt;br /&gt;As saias bailavam pelo rebordo das coxas negras de cetim, de entre onde irrompia, à vez da batida acelerada, ora um joelho ora uma perna de tecido branco.&lt;br /&gt;As mãos de dedos delgados seguiam os contornos de costas largas e as mãos de dedos grossos cingiam cinturas lisas e finas. De faces coladas, os olhos adivinhavam-se ao fim de cada réplica sussurrada ao ouvido. As paredes escorriam o tom violeta das meias luzes e o clarinete, como o grito desvairado de uma sirene, jorrava sobre a sala o sémen da transgressão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-1121688416528239174?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1121688416528239174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1121688416528239174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/04/choro.html' title='Roda de choro'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-4063513458231521559</id><published>2009-04-10T08:35:00.000-07:00</published><updated>2009-04-10T10:11:54.321-07:00</updated><title type='text'>Antes do amanhecer</title><content type='html'>Antes do amanhecer, a montanha transbordava de luz, já prenha do sol. O sopro da vida pairava na névoa a um palmo das coisas, tal como a alma paira a um palmo do sonhador. Tudo era quietude e silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-4063513458231521559?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4063513458231521559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4063513458231521559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/04/antes-do-amanhecer.html' title='Antes do amanhecer'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-2520772337273090284</id><published>2009-04-01T16:24:00.000-07:00</published><updated>2009-04-10T09:01:40.075-07:00</updated><title type='text'>Cinco, dez, quinze. Vinte, vinte e cinco, trinta.</title><content type='html'>Dispôs as moedas em cima da mesa, de maneira a que formassem uma cruz. Na posição do meio, colocou a última moeda com cuidado, não evitando o tinir seco, abafado pelos dedinhos gordos.&lt;br /&gt;"Uma cruz", disse. "Que bonita cruz que se formou aqui, não acha? Parece que é de propósito. Até parece vontade de Deus."&lt;br /&gt;Não conseguia sequer erguer os olhos. Olhava fixamente para a cruz que se desenhara na mesa.&lt;br /&gt;"Não fique assim, homem! É a vontade de Deus, é o que eu lhe digo. E olhe que eu haveria de saber!", disse, soltando uma risada.&lt;br /&gt;Retirou as moedas da mesa, uma a uma. Limitou-se a repetir secamente: "cinco, dez, quinze. Vinte, vinte e cinco, trinta". À medida que saía, sentiu o tinir das moedas debaixo das vestes, abafado pelo veludo da bolsa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-2520772337273090284?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2520772337273090284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2520772337273090284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/04/cinco-dez-quinze-vinte-vinte-e-cinco.html' title='Cinco, dez, quinze. Vinte, vinte e cinco, trinta.'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-4105222508449729552</id><published>2009-04-01T11:22:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T11:23:24.015-07:00</updated><title type='text'>Só porque soa bem</title><content type='html'>Ainda não gosto de ti o suficiente para te mentir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-4105222508449729552?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4105222508449729552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4105222508449729552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/04/so-porque-soa-bem_01.html' title='Só porque soa bem'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-7718733253199510188</id><published>2009-04-01T11:21:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T11:22:36.279-07:00</updated><title type='text'>Só porque soa bem</title><content type='html'>Não quer dizer que seja verdade. Ou quer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-7718733253199510188?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7718733253199510188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7718733253199510188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/04/so-porque-soa-bem.html' title='Só porque soa bem'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-3715646163959858342</id><published>2009-02-24T11:18:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T11:21:21.132-08:00</updated><title type='text'>Ser de vento</title><content type='html'>Sopro&lt;br /&gt;Ser de vento&lt;br /&gt;Que desconheces a distância entre o aqui e o agora&lt;br /&gt;O custo de todas as coisas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-3715646163959858342?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/3715646163959858342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/3715646163959858342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/02/ser-de-vento.html' title='Ser de vento'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-1310943331808275849</id><published>2009-02-16T15:48:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T15:49:44.696-08:00</updated><title type='text'>e dou um passo em frente.</title><content type='html'>Há quem tenha medo de abrir a porta de casa e dar um passo em frente. Pessoas que hesitam em se empenhar por causa do tamanho de uma tarefa. Que se duvidam. Que, perante a proverbial viagem das mil milhas, fazem precisamente o contrário daquilo que se lhes pede: travam o passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje (ontem?), no caminho para o trabalho,&lt;br /&gt;parei numa feira para comprar queijo e presunto,&lt;br /&gt;ofereceram-me um pão aos quadradinhos,&lt;br /&gt;confessei as minhas blasfémias mais ousadas na escada de uma igreja,&lt;br /&gt;despedi-me de alguém num comboio,&lt;br /&gt;bati com o nariz da porta do museu com a estátua que mais quero ver,&lt;br /&gt;soltei uma gargalhada com o número de quadradinhos estavam desenhados,&lt;br /&gt;vaguei por uma cidade que conhecia,&lt;br /&gt;trauteei uma ária já muito batida,&lt;br /&gt;perdi-me,&lt;br /&gt;encontrei-me,&lt;br /&gt;gritei golo quando não era,&lt;br /&gt;conheci alguém num comboio,&lt;br /&gt;bati com o nariz na porta de um aeroporto que só abria daí a três horas,&lt;br /&gt;vaguei por uma cidade que não conhecia,&lt;br /&gt;atravessei ruas vazias de madrugada,&lt;br /&gt;vi uma obra prima,&lt;br /&gt;cometi uma blasfémia ao pé de uma igreja,&lt;br /&gt;apanhei um avião, um comboio, um outro comboio e uns autocarros,&lt;br /&gt;e cheguei 10 minutos atrasado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bologna, Modena, Firenze, Pisa, Porto e Lisboa.&lt;br /&gt;Mas antes de começar,&lt;br /&gt;detenho-me sempre no momento em que se fecha a porta atrás de mim,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-1310943331808275849?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1310943331808275849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1310943331808275849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/02/e-dou-um-passo-em-frente.html' title='e dou um passo em frente.'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-5030857232978496179</id><published>2009-02-11T16:19:00.000-08:00</published><updated>2009-02-11T16:23:54.876-08:00</updated><title type='text'>Artigo da fé</title><content type='html'>É tão difícil amar quanto impossível não.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-5030857232978496179?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5030857232978496179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5030857232978496179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/02/artigo-da-fe.html' title='Artigo da fé'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-7702490900794296739</id><published>2009-02-09T18:26:00.000-08:00</published><updated>2009-02-10T03:27:40.838-08:00</updated><title type='text'>e esconder uma lágrima no canto do olho.</title><content type='html'>Chegar ao fim de um dia e dizer que vivi da arte, vivi do amor, que não fiz mal a alma vida,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fWGGlZ1xLcI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fWGGlZ1xLcI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-7702490900794296739?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7702490900794296739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7702490900794296739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2009/02/e-um-beijo.html' title='e esconder uma lágrima no canto do olho.'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-2004329704761850795</id><published>2008-10-30T07:33:00.000-07:00</published><updated>2009-02-10T04:51:50.712-08:00</updated><title type='text'>Cais das Colunas</title><content type='html'>Uns com os dedos enleados nas grades, outros com as mãos nos bolsos, os velhos juntaram-se num magote.&lt;br /&gt;Por entre os gritos das gaivotas, o braço mecânico estende ao fundo do rio os gestos do homem dentro da máquina. Às garfadas, arranca calhaus para um monte que faz ao lado. Desenterra anos de esquecimento.&lt;br /&gt;Os velhos olham quase mudos, não fossem os sorrisinhos que soltam enquanto batem nos ombros de outros, um calhau a menos até ao fim da obra.&lt;br /&gt;O braço mecânico move-se destro pelo ar, como uma dança. Sem pressa mas sem perder tempo em dúvidas, esvoaça e mergulha a buscar mais um desses sete palmos.&lt;br /&gt;Lá em baixo, jaz ansioso um cais outrora branco que vive só na memória de um magote de velhos. As duas colunas que se já se erguem. A máquina volta a mergulhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-2004329704761850795?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2004329704761850795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2004329704761850795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2008/10/cais-das-colunas.html' title='Cais das Colunas'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-5629460418945765947</id><published>2008-10-30T05:34:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.386-08:00</updated><title type='text'>Simples</title><content type='html'>Tenho sede de fácil&lt;br /&gt;Uma figura, um objecto,&lt;br /&gt;Uma forma,&lt;br /&gt;Um círculo,&lt;br /&gt;Uma sombra,&lt;br /&gt;Uma dimensão,&lt;br /&gt;Disparam nos meus olhos&lt;br /&gt;Como fotogramas&lt;br /&gt;Em rápida sucessão.&lt;br /&gt;Antes de adormecer&lt;br /&gt;Um silêncio escuro&lt;br /&gt;Uma noite longínqua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-5629460418945765947?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5629460418945765947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5629460418945765947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2008/10/simples.html' title='Simples'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-1056878023539456358</id><published>2008-04-22T11:04:00.000-07:00</published><updated>2009-02-12T06:24:51.280-08:00</updated><title type='text'>Deus Teenager Est</title><content type='html'>Curvado ao peso da cruz, arrastava o passo monte acima. O olhar desviou-se para uma gota que lhe escorria pelo cabelo; o sangue entrelaçado no suor.&lt;br /&gt;Vincou um sorriso no canto do lábio e começou, monte acima, a cantarolar as músicas da Sua adolescência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-1056878023539456358?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1056878023539456358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1056878023539456358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2008/04/deus-teenager-est.html' title='Deus Teenager Est'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-862764067870529979</id><published>2008-04-16T07:10:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.386-08:00</updated><title type='text'>blank</title><content type='html'>Não me conformei ao medo de te ver vazia&lt;br /&gt;Nem me conformo à ânsia de te querer encher&lt;br /&gt;O vento cantar-me-à a resposta&lt;br /&gt;Ao ouvido&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-862764067870529979?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/862764067870529979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/862764067870529979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2008/04/blank.html' title='blank'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-405658441995957522</id><published>2008-04-09T11:45:00.000-07:00</published><updated>2009-02-10T03:53:21.202-08:00</updated><title type='text'>Ao meu avô</title><content type='html'>De um pulo, voou por cima dos três degraus que davam para a porta da igreja. A escuridão e o silêncio fizeram-no travar o passo e tirar o chapéu da cabeça, enquanto um frescura doce lhe escorria pelo pescoço. Mas não estava nem para santinhos nem para salamalecos, avisou, enquanto um sorrisinho lhe bailava nos cantos dos lábios.&lt;br /&gt;Ao canto, ao pé do altar, do lado direito, estava a figurinha da sua santa de devoção, Nossa Senhora da Guadalupe. Foi sentar-se à frente dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que parvo", pensou, enquanto sentia o sorriso crescer dentro dele, quase a entornar-se pela boca fora. Tentou, a esforço, esconder-se dos olhos suplicantes da virgem. Baixinho baixinho, começou a cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passar da ribeirinha, pus o pé,&lt;br /&gt;Molhei a meia, pus o pé,&lt;br /&gt;Molhei a meia, pus o pé,&lt;br /&gt;Molhei a meia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não casei na minha terra, fui casar&lt;br /&gt;A terra alheia, fui casar&lt;br /&gt;A terra alheia, fui casar&lt;br /&gt;A terra alheia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou de rodar o chapéu impaciente nas mãos e fisgou um olhar para a Virgem Santíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha Mãe dá-m’um conselho, que me dói&lt;br /&gt;A passarinha, que me dói&lt;br /&gt;A passarinha, que me doí&lt;br /&gt;A passarinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ò filha coç’à c’o dedo, qu’eu também&lt;br /&gt;Cocei a minha, qu’eu também&lt;br /&gt;Cocei a minha, qu’eu também&lt;br /&gt;Cocei a minha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-405658441995957522?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/405658441995957522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/405658441995957522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2008/04/ao-meu-avo.html' title='Ao meu avô'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-722490707579400559</id><published>2008-04-02T10:21:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.387-08:00</updated><title type='text'>Mar meu</title><content type='html'>Olho o mar meu&lt;br /&gt;Um mar de medo&lt;br /&gt;De um brado escuro, ledo, calado&lt;br /&gt;Mudo no lábio trémulo&lt;br /&gt;Brando num mar de mau grado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar meu manso&lt;br /&gt;Na maré vazia da morte&lt;br /&gt;De um mar de mora&lt;br /&gt;Milha perdida ao tempo&lt;br /&gt;Ao verde achado ora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar meu vivo&lt;br /&gt;Onde vive perdida a hora&lt;br /&gt;Mar de mel, mar de sol, mar de sim&lt;br /&gt;Mar meu onde perco os olhos&lt;br /&gt;A &lt;a href="http://o-achamento.blogspot.com/"&gt;achar&lt;/a&gt; um mar de mim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-722490707579400559?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/722490707579400559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/722490707579400559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2008/04/mar-meu.html' title='Mar meu'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-4559927495371881534</id><published>2008-03-26T05:29:00.001-07:00</published><updated>2009-02-10T03:26:43.748-08:00</updated><title type='text'>Até agora</title><content type='html'>Calou-me a voz um cancro chamado humildade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-4559927495371881534?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4559927495371881534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/4559927495371881534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2008/03/ate-agora_26.html' title='Até agora'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-3955286712138679398</id><published>2008-03-25T15:15:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.388-08:00</updated><title type='text'>Vazio Inferior</title><content type='html'>se7e &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp como&lt;br /&gt;tr3s &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp eu pudesse&lt;br /&gt;zer0 &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp alimentar&lt;br /&gt;se7e &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp o vazio&lt;br /&gt;1m &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp que me&lt;br /&gt;n9ve &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp chega&lt;br /&gt;1m &amp;nbsp &amp;nbsp &amp;nbsp do inconsciente&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-3955286712138679398?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/3955286712138679398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/3955286712138679398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2008/03/vazio-inferior.html' title='Vazio Inferior'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-1645472057444418709</id><published>2006-12-06T01:57:00.000-08:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.388-08:00</updated><title type='text'>vento</title><content type='html'>A chuva estava a cair sobre a cidade como um bênção leve. Virei-me para a Rua do Alecrim e senti o vento que vinha do rio ou do mar. Era mais forte e mais fresco que o ar e a chuva que o rodeavam e fez o chapeu de chuva saltitar de um medo ignorante.&lt;br /&gt;Mantive-o sem custo entre os dedos da mão, acalmei-o.&lt;br /&gt;Há muito tempo que não sentia esta tremura, esta quase-saudade de qualquer coisa de que me vou (vão?) esquecer não tarda muito. Esta quase-vontade de não me esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi nessa altura que me veiram à cabeça as implicações religiosas de uma vela inchada só de um lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-1645472057444418709?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1645472057444418709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1645472057444418709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2006/12/vento.html' title='vento'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-2820254560031026012</id><published>2006-11-15T07:37:00.000-08:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.389-08:00</updated><title type='text'>Rain</title><content type='html'>A chuva lá fora,&lt;br /&gt;o manto cinzento que esconde o azul de Lisboa&lt;br /&gt;parece-me uma visita daquel'outra parte da minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-2820254560031026012?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2820254560031026012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2820254560031026012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2006/11/rain.html' title='Rain'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-2886760882705502043</id><published>2006-10-28T08:39:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.389-08:00</updated><title type='text'>fire</title><content type='html'>Quantas cartas, por despeito, já foram queimadas?&lt;br /&gt;Quantas foram escritas na certeza seguríssima de que iam ser queimadas?&lt;br /&gt;O que escreve uma pessoa na certeza de não ser lido senão pelas chamas.&lt;br /&gt;Quantas cartas já começaram com&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Querido fogo,&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-2886760882705502043?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2886760882705502043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2886760882705502043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2006/10/fire.html' title='fire'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-6447724803831485975</id><published>2006-09-28T03:21:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.389-08:00</updated><title type='text'>"The faster you go, the more stable it becomes"</title><content type='html'>How many sentences ring true just because they sound nice?&lt;br /&gt;How much of our lives depends on these flukish combination of words, that were said in a completely different context anyway?&lt;br /&gt;Who ever said they were right, just because they were pretty?&lt;br /&gt;Who ever said they had any bearing into the way we ought to live and they're to be believed?&lt;br /&gt;Since when is &lt;em&gt;pretty&lt;/em&gt; necessarily &lt;em&gt;true&lt;/em&gt;?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-6447724803831485975?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/6447724803831485975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/6447724803831485975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2006/09/faster-you-go-more-stable-it-becomes.html' title='&amp;quot;The faster you go, the more stable it becomes&amp;quot;'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-9120870513376028795</id><published>2006-09-03T05:13:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.390-08:00</updated><title type='text'>Poesia</title><content type='html'>Não me parece muitíssimo complicado dizer&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;não sou nada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ou que&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a metafísica é a consciência de que se está mal disposto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Complicado é ir além disso&lt;br /&gt;Ou, pior ainda,&lt;br /&gt;Ir aquém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-9120870513376028795?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/9120870513376028795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/9120870513376028795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2006/09/poesia.html' title='Poesia'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-101581792612263820</id><published>2006-08-22T17:18:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.390-08:00</updated><title type='text'>Peregrinação na forma tentada</title><content type='html'>O mar não chama por mim, como se não houvesse nada do outro lado.&lt;br /&gt;Sinto-me Adão, o Néscio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-101581792612263820?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/101581792612263820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/101581792612263820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2006/08/peregrinacao-na-forma-tentada.html' title='Peregrinação na forma tentada'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-2350637766618966204</id><published>2006-07-31T03:37:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.391-08:00</updated><title type='text'>Armado às aliterações</title><content type='html'>O sinal mais sonoro de que se está sozinho&lt;br /&gt;é o silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-2350637766618966204?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2350637766618966204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2350637766618966204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2006/07/armado-as-aliteracoes.html' title='Armado às aliterações'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-8034687281959310922</id><published>2005-07-06T04:36:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.391-08:00</updated><title type='text'>Um 5 de Julho qualquer, Parte 7 - Casa</title><content type='html'>Muitas vezes cuspi-lhe no nome. Cometi o insulto mais torpe de a chamar &lt;em&gt;óbvia&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a cidade é uma explosão de cor e de luz e de calor que invade todos os recantos como uma Fé, até a sombra ter mais luz do que a luz dos outros sítios. O calor entranha-se na pele até refazê-la de escuro e sermos nós também um bocado da cor, da luz, da cidade. O casario estreito de um bairro, a voz que se levanta e paira sem esforço na língua dos meus olhos fechados...&lt;br /&gt;Em Lisboa, tudo sou eu.&lt;br /&gt;O sítio para onde vou sempre que estou a regressar.&lt;br /&gt;Porque amá-la é amar-me.&lt;br /&gt;É esta a minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Miguel Maia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-8034687281959310922?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8034687281959310922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8034687281959310922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2005/07/um-5-de-julho-qualquer-parte-7-casa.html' title='Um 5 de Julho qualquer, Parte 7 - Casa'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-3670576024561069262</id><published>2005-07-06T03:28:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.391-08:00</updated><title type='text'>Um 5 de Julho qualquer, Parte 6 - Un Uomo</title><content type='html'>Quando Adolf Hitler sobreviveu às terríveis provações da Guerra de Trincheiras entre 1914 e 1918, ficou com a ideia de que a &lt;em&gt;Providência&lt;/em&gt; lhe tinha reservado qualquer coisa de maior para fazer. Para mal dos nossos pecados, lá nisso teve razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando penso em tudo o que aconteceu entre mim e a Viviana também gosto de encontrar um traço em tudo quanto nos aconteceu &lt;em&gt;por acaso&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;O dia estava disposto a isso: voltar a mostrar-me que a &lt;em&gt;Providência&lt;/em&gt;, pelo menos ela, ainda não está pronta para me abandonar.&lt;br /&gt;Fui à Ler Devagar no Bairro Alto, para falar com o José Pinho, o dono de uma casa de livros &lt;em&gt;mortos&lt;/em&gt; que me tinha dado uma entrevista (e que acabou por ser a primeira coisa de minha autoria a ir para o ar). Queria dar-lhe um CD com a cópia do meu trabalho.&lt;br /&gt;Fui com a sensação de que a Rua de São Boaventura, que ocupou tanto destes meus últimos dias ia ser o último posto de uma viagem... e foi o primeiro de outra.&lt;br /&gt;Entrei, demasiado cedo para encontrar o José Pinho, e fui à caixa dizer quem era e ao que vinha. Riram-se para mim, talvez por serem simpáticos, talvez por me terem ouvido na rádio.&lt;br /&gt;Coloquei a caixa do CD sobre a mesa, mesmo ao lado de um livro que estava quase a deixar de existir, um daqueles de que se falava na entrevista, de que não existem mais cópias em lado nenhum, de que as próprias reservas das editoras se estão a esgotar,&lt;br /&gt;um livro &lt;em&gt;de fundo&lt;/em&gt; que quando fosse comprado passaria a ser um livro &lt;em&gt;defunto&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Prestei atenção:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um Homem&lt;/em&gt;, de Oriana Fallaci, o livro favorito da Viviana, na versão portuguesa. O último exemplar, disseram-me.&lt;br /&gt;Era aquele homem... aquele homem por cujas medidas uma vez fui tirado.&lt;br /&gt;E era ela, a &lt;em&gt;Providência&lt;/em&gt;, a rir-se outra vez para mim, talvez por ser simpática, talvez por me ter estado a ouvir este tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«&lt;em&gt;Chegou a hora da partida. Cada um de nós segue o seu caminho: eu para a morte, e vós para a vida. Qual dos dois seja melhor, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;só Deus sabe.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Platão, Apologia de Sócrates.&lt;/em&gt;»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Miguel Maia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-3670576024561069262?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/3670576024561069262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/3670576024561069262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2005/07/um-5-de-julho-qualquer-parte-6-un-uomo.html' title='Um 5 de Julho qualquer, Parte 6 - Un Uomo'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-5272626728749719336</id><published>2005-07-06T01:43:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.392-08:00</updated><title type='text'>Um 5 de Julho qualquer, Parte 5 - Táxi</title><content type='html'>&lt;em&gt;!Aviso: O conteúdo deste &lt;/em&gt;post &lt;em&gt;é susceptível de ferir as sensibilidades menos preparadas!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não hajam dúvidas, os taxistas não são a voz do povo. Se forem a voz de qualquer coisa é do que de mais canceroso o povo tem.&lt;br /&gt;Ontem, atrasado de mais, tive que apanhar um táxi para ir à TSF entregar o material, o currículo e outras coisas.&lt;br /&gt;A conversa começou de maneira insuspeita: &lt;em&gt;o tempo... está um calor que não se pode, depois deste serviço vou para casa...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E agora perdoem-me, mas não estou com disposição para eufemizar o discurso directo:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vou para casa ver um filme do Frota e bater uma punheta antes que chegue a patroa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Escuso de falar do meu &lt;a href="http://intranacional.blogspot.com/2005/06/lio-de-psicologia-patolgica.html"&gt;complexo histérico&lt;/a&gt; outra vez. A verdade é que só me apetecia rebentar.&lt;br /&gt;Entre o novo ar condicionado móvel que tinha custado 400 euros mas que se podia pôr no canto da sala encontado à parede, lá continuava.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estas obras nos Terreiro do Paço, realmente... Antigamente, quando se passava aqui no Cais das Colunas até se podia ver a cona às estrangeira! É verdade! Agora com estas obras...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Uma vez passei aqui, estava uma senhora no carro, e eu inclinei a cara para o passeio onde estava uma bifa sentada e disse: "&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Já reparou senhora, esta gaja não tem calcinhas!"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Podia ser que o meu silêncio o fizesse parar... não fez.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A primeira gaja que comi era uma puta. No meu tempo - e isto foi em 1955, há 49 anos portanto - só custava dois e quinhentos. Eu tinha 14 anos e era muito envergonhado&lt;/em&gt; (ninguém diria) &lt;em&gt;e fui ter com ela e segui-a até que ela me perguntou:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O que é que queres?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quero ir contigo...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Queres ir comigo onde?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quero ir contigo...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Queres ir comigo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quanto é que levas?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Depois ele enunciou os preços de algumas coisas que não percebi bem o que eram, ou porque as chamou com nomes que já não se usam ou porque não estou muito dentro do &lt;em&gt;slang&lt;/em&gt; da prostituição.&lt;br /&gt;Só percebi bem uma coisa:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Ir à cona são dois e quinhentos."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porra! Paguei logo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Epá, aquilo não deu para nada. Dei-lhe duas bombadas e vim-me logo... e dois e quinhentos naquela altura era dinheiro...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas o que me impressionou na gaja era que não tinha pintelheira. E eu perguntei:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Houve lá. Mas tu não tens pêlos... no sexo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não, rapei-os."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E eu não percebi o que ela queria dizer. Uns dias depois fui ter com o meu irmão, que era mais velho que eu, Deus o tenha, e perguntei-lhe.&lt;br /&gt;"As gajas não têm pintelheira?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Têm."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E ele levou-me a uma antiga casa de putas ali no Martim Moniz, que agora já não existe&lt;/em&gt; (e falava com a mesma nostalgia com que se fala do pregão da varina que já não volta mais). &lt;em&gt;Eu não podia entrar porque só tinha 14 anos e não era permitido, mas o meu irmão foi lá dentro e arranjou-me uma que ele já devia conhecer, e que tinha uma pintelheira tão grande que nem se via a cona.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E foi assim que fiquei a saber que as gajas também têm pintelhos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mais silêncio da minha parte.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um dia destes estava com a minha patroa e a minha filha que estava a dar banho à menina, a minha neta, que só tem um aninho. E quando a minha filha lhe estava a pôr o pó de talco reparei que a pequena não tinha grelo. Fui logo perguntar à minha patroa:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Então a miuda não tem aqueles lábios... no sexo? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Claro que não, então ainda não está formada."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E foi assim que descobri que as miudas pequenas, para além de não terem pintelhos, também não têm o grelo. Pronto, só têm aqueles lábios grandes, mas aquela parte assim mais pequenininha&lt;/em&gt; (e fazia gestos com a mão, como se lhes tocasse)&lt;em&gt;, essa parte não têm.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estávamos a chegar à rotunda antes da Matinha, com aquela estátua ao 25 de Abril, quando ele me diz para rematar.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hoje em dia é que vocês têm sorte. Fodem para aí a torto e a direito. No meu tempo, se fodêssemos uma gaja tínhamos que casar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A não ser que fosse puta. Aquela puta sem pintelhos, fodia-a tantas vezes...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas o meu filho é com qualquer gaja e não interessa. As gajas ligam-lhe a toda a hora, mas ele também é um rapaz bonito.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando fui eu, olha... fodi a minha patroa e depois tive que casar com ela.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estranho que pareça, nesse momento e só nesse, até o invejei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Miguel Maia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-5272626728749719336?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5272626728749719336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5272626728749719336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2005/07/um-5-de-julho-qualquer-parte-5-taxi.html' title='Um 5 de Julho qualquer, Parte 5 - Táxi'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-240024092999207731</id><published>2005-07-05T13:37:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.392-08:00</updated><title type='text'>Um 5 de Julho qualquer, Parte 4 - Leopardo</title><content type='html'>Aos poucos lá me vou conseguindo lembrar de detalhes que podem explicar porque é que alguém havia de ter gostado de mim.&lt;br /&gt;Os primeiros passos ainda foram pesados e pouco ágeis,&lt;br /&gt;mas ao fim da tarde já estava a subir escadas, dois ou três degraus de cada vez,&lt;br /&gt;à moda de um leopardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Miguel Maia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-240024092999207731?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/240024092999207731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/240024092999207731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2005/07/um-5-de-julho-qualquer-parte-4-leopardo.html' title='Um 5 de Julho qualquer, Parte 4 - Leopardo'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-1002171284741107709</id><published>2005-07-05T09:45:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.392-08:00</updated><title type='text'>Um 5 de Julho qualquer, Parte 3 - Guelinha</title><content type='html'>&lt;em&gt;Espero que não te importes que te chame assim...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sem me aperceber, entrei dentro do desmando que me recomendava para as semanas seguintes.&lt;br /&gt;Comecei a vasculhar coisas, com objectivos remotos e quase indiferentes, sem força senão para esperar que o destino me dissesse o que pensar, e onde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eis senão quando&lt;/em&gt;, no momento em que ninguém me persuadiria de que tal coisa alguma vez voltasse a existir, me ligou&lt;br /&gt;&lt;em&gt;alguém com saudades minhas&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Miguel Maia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-1002171284741107709?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1002171284741107709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/1002171284741107709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2005/07/um-5-de-julho-qualquer-parte-3-guelinha.html' title='Um 5 de Julho qualquer, Parte 3 - Guelinha'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-7622723888909641602</id><published>2005-07-05T09:27:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.393-08:00</updated><title type='text'>Um 5 de Julho qualquer, Parte 2 - Bússola</title><content type='html'>Hoje perdi-me. A imagem de uma &lt;a href="http://dinoi3.blogspot.com/2005/07/anti-spoon-river.html"&gt;bússola sem estrela polar&lt;/a&gt; não me abandonou a cabeça. Se ela se sente perdida como uma bússola que ficou sem o norte, quão perdido se sentirá o norte sem a bússola? &lt;em&gt;Substancialmente&lt;/em&gt; perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único propósito de fosse o que fosse que eu fizesse com alento passava por estar com ela, por fazê-la feliz, por saber que ela me esperava e que ficaria com ela a meu lado, sempre.&lt;br /&gt;Dedicarmos uma felicidade a uma outra pessoa humana é um risco tremendo. Desde que estou com ela sabia que perderia a substância do meu motivo se ela não estivesse à altura do desafio de amar alguém. Esse risco vale a pena, asseguro-vos, porque quando as coisas correm bem, até chegamos a perceber que de nada mais serve a existência das pessoas no universo.&lt;br /&gt;Pois, mas sem ela... Sem ela não existe nada que eu queira fazer... conseguem imaginá-lo? Uma pessoa para quem não exista nada que se faça por gosto...&lt;br /&gt;Perdido dela, perdi a única coisa a que chamo casa. É por isso que a viagem que se avizinha é tão importante e tão desmandada. Partirei deste sítio em que não me reconheço - e digo-o porque nem sequer me reconheço como lusofono ou português - e vou até ela. Depois ela partirá e deixar-me-á à deriva, em busca de uma casa que não tenho, sem um bilhete de regresso marcado para lado nenhum.&lt;br /&gt;Não sei o que farei, mas imagino que andarei... quem sabe mesmo muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Miguel Maia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-7622723888909641602?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7622723888909641602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/7622723888909641602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2005/07/um-5-de-julho-qualquer-parte-2-bussola.html' title='Um 5 de Julho qualquer, Parte 2 - Bússola'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-2692156986460467141</id><published>2005-07-05T09:17:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.393-08:00</updated><title type='text'>Um 5 de Julho qualquer, Parte 1 - TSF</title><content type='html'>A minha despedida da TSF foi tudo o que a minha despedida da Viviana devia ter sido. Logo porque foi feita de peito aberto, cara-a-cara com as pessoas que me queriam lá e com a que não o podia consentir.&lt;br /&gt;Desta vez sim: era o momento certo para acabar. Mesmo tendo a certeza que podia ter continuado tivesse eu sido diferente... tivesse ela....&lt;br /&gt;A verdade é que o nosso pavio foi-se esfumando aos poucos de uma maneira óbvia para ambos e, mesmo se nos últimos dias ainda ouve umas recaídas e uns surtos de reconciliação, sinto que este era o momento de sair, de procurar melhor dentro de mim talvez, de voltar mais tarde espero,&lt;br /&gt;mas de sair.&lt;br /&gt;Fiquei a saber que, afinal, também sei acabar uma relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o fim foi magnífico. São raros os momentos de aperto no coração em que temos a coragem de dizer tudo aquilo de que nos arrependeríamos de não ter dito.&lt;br /&gt;A TSF também foi isso em mim: a prova de que a relação com a Viviana não foi um acidente; de que demoro um tempo desconfortavelmente longo para me abrir às pessoas,&lt;br /&gt;mas de que não me vou voltar a esconder delas, de que tenho coisas a dizer-lhes e digo-as.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Miguel Maia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-2692156986460467141?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2692156986460467141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/2692156986460467141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2005/07/um-5-de-julho-qualquer-parte-1-tsf.html' title='Um 5 de Julho qualquer, Parte 1 - TSF'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-5147460221341633953</id><published>2005-07-03T02:33:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.394-08:00</updated><title type='text'>Quem és tu romeiro?</title><content type='html'>Alguém que tenha a bondade de responder...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-5147460221341633953?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5147460221341633953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/5147460221341633953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2005/07/quem-es-tu-romeiro.html' title='Quem és tu romeiro?'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7777093455489209529.post-8456984864369750068</id><published>2005-04-21T15:36:00.000-07:00</published><updated>2009-02-09T18:22:46.394-08:00</updated><title type='text'>memo to self</title><content type='html'>Não te esqueças de cantar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7777093455489209529-8456984864369750068?l=promontoriodalua.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8456984864369750068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7777093455489209529/posts/default/8456984864369750068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://promontoriodalua.blogspot.com/2005/04/memo-to-self.html' title='memo to self'/><author><name>MiM</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06169964247508843743</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
